Fagulhas de Ano Novo

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Fagulhas de Ano Novo

Mensagem por Kevin em Qui Set 04, 2014 9:36 pm

Fagulhas de Ano Novo



Classificação: Livre
Temporada: Digimon Adventure
Personagens: Koushirou Izumi (Izzi), Taichi Yagami (Tai)
Gêneros: Comédia

Avisos:

A marca Digimon, bem como suas diversas criações, não me pertencem. Sou apenas um fã criando uma estória sem fins lucrativos no intuito de diversão.



– Izzi! Eu estou cansado de subir! - A voz de Tai vinha pausada. Ele estava exausto.

– Izzi vamos parar para descansar. - Tai sentava-se, mas percebia que seu amigo estava distanciando-se ainda mais.

– Ok... Pelo menos espera eu beber um pouco de água. - Mas, sua voz ecoava pela noite. – Se não estivesse tão escuro eu juro que te mostrava um dos meus melhores dedos. - Aborrecido, Tai levantava-se acelerando.


Era noite. Tai e Izzi estavam subindo uma montanha. Estava tudo escuro. O único foco de luz era a lanterna que Izzi levava com ele à frente. Saíram as 22:00 e já era cerca de 23:45 ou algo mais. No entanto, Izzi continuava obstinado com a subida.


– Doutor olhos de coruja, pelo menos me ajude a identificar o caminho que eu devo fazer. - Tai estava começando a ficar irritado. Era difícil subir sem poder ver, a escuridão tomava conta do local.


A montanha não era tão alta, mas tinha um relevo bem acidentado. Talvez a subida levasse meia hora para alguém experiente. Mas, na escuridão para dois jovens, sendo o mais velho de 12 anos, com trinta minutos não iriam muito longe.


– Certo senhor caladão. Eu estou com os meus pés doendo. Tenho certeza que a dois passos atrás levei a centoagéssima mordida... - Tai começava a berrar. – Se eu levar uma mordida no traseiro juro que vai ter que pagar as pomadas que terei de passar nessas mordidas. -

– É centésima! - Disse Izzi quebrando o silêncio. A voz dele parecia tão séria e irritada. Mas, ainda assim tão tremula.

– Você está contando também? Como sabe quantas mordidas eu já levei? Eu sabia que era você quem estava me mordendo. - Tai falando todo sério continuava subindo sem saber para onde estava indo ao certo.

– Se você realmente precisa-se de um tempo não estaria fazendo piadas. - A voz de Izzi veio como uma lamina.

– Qual é o seu problema, hein? - Gritou Tai na escuridão. – Sabe que estou apenas tentando retirar a tensão que você criou nessa jornada maluca. -

– Exatamente! Quem criou essa tensão fui eu e para mim. A jornada maluca é minha! Não te chamei para vir comigo. - Gritou Izzi parando de andar.


Aqueles dois se conheciam como irmãos. Como para muitos não era necessário falar que algo estava errado, para aqueles dois não era necessário estar enxergando. Meias palavras bastariam. No entanto, ali não foi dito apenas meia palavra. Izzi havia dito a Tai que ele não era bem vindo. Havia dito em alto e bom tom, com uma carga de raiva na voz.


– Eu... - Tai continuou a caminhar abalado, até que chocou-se com Izzi que estava parado, fazendo ambos caírem. O foco da lanterna não estava ajudando em meio a escuridão provocada pelas árvores do local.

– Por que você veio atras de mim, Tai? - Gritou Izzi furioso. Sua voz mostrava que ele realmente estava irritado.


A voz era tão intensa que por um momento Tai acreditou que Izzi talvez estivesse chorando.


– Eu... Só queria te desejar Feliz Ano Novo... - Tai incerto do que responder se lembrava do momento em que aquela caminhada idiota havia começado.


A verdade era que realmente Izzi não havia convidado Tai para aquela louca escalada noturna. Tai havia ido a casa de Izzi. Ele pretendia chegar um pouco mais cedo, mas enrolado como era, acabou saindo de casa muito tarde, com a promessa de que não demoraria muito. Quando chegou ao prédio onde Izzi morava, o viu ao longe correndo para pegar um ônibus.

Tai fez o que qualquer pessoa normal faria. Correu atras dele. Subindo no ônibus demorou para identificar aonde Izzi havia se metido. O menino nada disse, quando Tai saudou, muito menos quando ele perguntou aonde ele iria.

Foi uma viagem bem curta com o ônibus, pouco mais de dez minutos. Tai ficou curioso para saber, aonde o amigo iria. Ele estava com calças compridas, um agasalho, sua mochila, onde certamente estaria o notebook e um gorro. Ele literalmente estava preparado para um bom frio Tai havia imaginado.

Após saírem do ônibus Izzi correu para uma montanha e começou a subi-la. Tai olhou em volta. Não havia ninguém nas ruas. Era obrigado a correr atrás do amigo e ajudá-lo no que ele pretendia fazer.

Se Tai tinha ideia do que era, ou uma opinião sobre aquilo? Certamente não. Ele até pensou em chutar que talvez tivesse algo haver com os digimons. No entanto, como seu digivice não dava nenhum alerta, ele descartava essa hipótese.


– Bem... - Izzi ao escutar aquilo pareceu sem jeito. – Feliz ano novo! Pode ir embora! - Mas, após respirar fundo voltou a estar agressivo para com o amigo.


Tai sentiu que o amigo estava caminhando novamente. Escutou umas pedrinhas rolarem um pouco mais acima de onde ele estava.


– Voltar? Na escuridão que é o caminho de volta? - Tai fechou os punhos irritados! – Seu tremendo idiota! - Tai levantou-se irritado e saltou na direção que acreditava que Izzi estaria. – Ai! -


Izzi escutou aquilo e jogou o foco da lanterna na direção que escutou Tai pela última vez. Caído perto da árvore, passando a mão na testa estava Tai. Ele havia saltado sobre o tronco de uma árvore acreditando ser Izzi.


– Isso é muito bem feito! Talvez você agora aprenda a não contar meus segredos para os outros. - Disse Izzi.

– Oras... Eu conto o que eu quiser... Se era para ser um segredo, era para ficar com você. Como você acreditava que se você não se aguentava com ele, eu me aguentaria... Por sinal, de que segredo estamos falando? - Tai levantava-se meio desnorteado. Ele não tinha ideia do que Izzi estava falando. Mas, já entendia que era com ele que ele estava bravo. – Afinal, porque você se meteu nessa montanha escura cheia de mosquitos... AI... Um acaba de morder aonde não devia... -

– A culpa é sua Tai! - Gritou Izzi.

– Eu sei que a culpa é minha! Eu deveria estar de roupa de frio também. E não com meu short marrom e camisa azul que lembram as roupas do mundo digital. Cara, lá não tem mosquito! - Tai já havia começado a se coçar.

– Não estou falando dos mosquitos. - Disse Izzi.

– Cara... Você sabe que é mil vezes mais inteligente que eu, se não explicar devagar, eu não vou conseguir compreender. - Tai havia finalmente chegado ao lado de Izzi.


Izzi começou a andar, mas desta vez, Tai agarrou-se alça da mochila, para não se perder no meio da escuridão. Foi menos de trinta segundos de subida, até que Tai percebeu que o menino não iria falar o que ele havia feito.


– Não precisa contar se não quiser... Eu sinto muito ter feito o que fiz, seja lá o que fiz. - Tai continuou subindo calado. – Eu até te deixaria sozinho, mas a volta é meio escura e difícil, sabe. Então serei um bom amigo desta vez e vou subir com você essa montanha, íngreme, escura, cheia de mosquitos assassinos chupadores do sangue de Tai. - Tai ficou calado durante mais alguns instantes. – Deixa eu perguntar, os mosquitos não te mordem, não? -

– Repelente! - Respondeu Izzi rispidamente.

– Isso explica porque sou o banquete da festa de virada de ano dos mosquitos daqui. Por sinal, faltam apenas cinco minutos para a virada. - Disse Tai. – A ideia é passar a virada no topo? Se for, estamos chegando? -

– Já chegamos. - Tai a sua frente conseguia ver um lugar plano no topo daquela montanha.


Na área plana, não havia árvores, com isso a luz do luar iluminava o local. Tai caminhou por aquele local por alguns instantes. Ele já esteve ali antes, mas nunca a noite. Naquele horário o local parecia muito diferente, mas a cidade ele não tinha palavras para descrever.


– Nossa! - Tai estava deslumbrado com a visão da cidade lá embaixo com suas luzes néon coloridas. O cenário era único. – Nunca vi nada parecido. -

– Mas, quem achou isso aqui fui eu. Não vá roubar para você. - Disse Izzi irritado.


Tai olhou para Izzi e viu que ele já havia instalado uma filmadora e uma maquina fotográfica automática.


– O que eu fiz? Eu roubei algo ou contei o segredo. Você está me deixando confuso. - Tai estava chegando novamente ao seu limite. Da vez anterior ele acabou acertando a árvore, mas agora ele sabia com perfeição onde estava Izzi, e por sorte, todos os seus equipamentos.

– Se não começar a explicar-me, vou rancar botão por botão de cada um desses seus equipamentos. - Tai ameaçou-o, mas Izzi não pareceu se importar.

– Cara... Está um saco. Ninguém conseguiria acreditar se soubessem que você estava no Digimundo enfrentando todos aqueles perigos. - Tai sentou-se. Faltava menos de dois minutos para os fogos.

– Esse é o problema Tai. - Disse Izzi de cabeça baixa.


Tai olhou sem entender o que o amigo queria dizer.


– Eu tenho sido humilhado na escola por sua culpa. O menino corajoso, simpático e jogador de futebol, fica tirando onda que enfrentou os monstros que invadiram a terra. As meninas não sabem falar de outra coisa. Os valentões não sabem falar de outra coisa. Os nerds não sabem falar de outra coisa. - Izzi parou. – Na semana passada, antes das férias de inverno começarem, escutei a Sora falando que o menino mais corajoso que ela conhecia era você Tai. -

– Sério? - Tai escutou aquilo ficando todo animado.

– Mas, as meninas não sabiam bem que era o Tai. Até que a Sora disse que era aquele que andava com Izzi.- Izzi parou tremendo. Parecia que lagrimas queriam sair de seu rosto. – Izzi? Aquele nanico do cabelo esquisito? Aquele metido a sabe tudo? Onde que alguém corajoso andaria com alguém como ele? Ele não deve nem mesmo saber se virar no meio da cidade. Imagina como ele se sairia com os monstros? -


Tai ficou parado olhando o amigo.


– Então você se sentiu humilhado pelas meninas te acharem fraco e dizerem que você jamais conseguiria sobreviver ao ataque dos digimons. Para provar o contrário resolveu subir essa montanha a noite, sozinho. Como prova iria tirar as fotos dos fogos para poder provar que sabe se virar? - Questionou Tai.


Izzi apenas afirmou com a cabeça.


– É a ideia mais idiota que eu já vi na minha vida. Por sinal, eles poderiam achar que você subiu com seus pais, ou com alguém. Nada provaria que você subiu sozinho ou que não foi fácil. - Tai começou a rir. – Poderiam até achar que as fotos e filmes foram feitos por outra pessoa, ou pior, montagem. - Tai ria de não se aguentar.

– Isso tudo é culpa sua Tai! - Izzi ficou ainda mais revoltado com Tai pelas risadas.

– E o que eu tenho haver com isso? - Tai gritou furioso.

– Acorda Tai! É você quem fica falando sobre ter enfrentado os monstros. - Gritou Izzi.

– Está doido? Eu quem propus manter o segredo dos digimons quando voltássemos. Evitar falar sobre eles. - Tai gesticulava com força. – Por que eu iria sair falando disso e chamar os digimons de monstros? -


Izzi abriu a boca para falar algo, mas parou de repente. Realmente Tai não chamaria os digimons de monstros. Não podia ser ele quem estava falando aquilo. Logo, não fora ele quem começou aquela história para que as garotas ficassem falando que ele não poderia com os digimons.


– Cara... Por que se importar com o que elas dizem? Valorize-se. Você sabe que sem você nós teríamos morrido umas quinhentas vezes, cem contar que nem conseguiríamos sair de lá. - Tai colocou a mão no ombro de Izzi. – Você se lembra quando eu tentei ativar o brasão da coragem querendo mostrar ser corajoso, eu instiguei errado Agumon e ele virou SkullGreymon. -

– É verdade... - Izzi chorava abraçando-se a Tai. – Isso aqui não é coragem. É apenas exibicionismo. -

– Foi mal cara! Me desculpe! - Izzi pedia desculpas a Tai pelo mal entendido. – Foi muito legal da parte dos seus pais deixarem você passar o ano novo conosco. Foi uma grande surpresa para mim. Eu não queria realmente virar o ano zangado com você. - Dizia Izzi.

– Mas... Eles não deixaram eu só tinha passado lá para desejar feliz ano novo e ia embora logo. - Tai parou assustado. – Caraca! To de castigo a vida toda. -


Izzi ia comentar algo, mas havia começado a queima de fogos. A cidade fica ainda mais bonita ornada com os fogos.


– Feliz Ano Novo Tai! - Izzi Sorriu para o amigo. – Prometo nesse ano tentar não me importar tanto com o que as pessoas dizem. -

– Feliz ano novo Izzi. Prometo esse ano tentar ser menos gostoso para os mosquitos. - Tai começava a rir de si próprio.
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